Brasileirinho, pequeno ou moço, morre torto.

Brasileirinho, pequeno ou moço, morre torto.

Tardes sombrias de verde e amarelo, o menino é brasileiro; franzino, mãos sujas e corpo ágil. Corre, entre os carros com uma agilidade incomum para os meninos de sua idade. É arredio, mas abre um sorriso quando vende um pacote de balas.
O menino, não tem ideia do perigo que o cerca. Vende balas no sinal de trânsito, todos os dias. Chega cedo no trabalho e à tardinha, leva o dinheiro para ajudar a mãe. Não estuda, só trabalha. Não brinca, só trabalha. Brincadeira para ele é alisar os espelhos dos carros com um pedido: ´´ Moço, compra um pacotinho de bala para ajudar minha mãe, doente.´´ O motorista, na maioria das vezes não leva a bala, mas o menino recebe uns trocadinhos. Sorri e acha graça. A inocência ainda não sabe o preço do futuro. Só alguns trocadinhos o deixam feliz.
Volta para casa feliz, não sabe contar dinheiro, tem apenas sete anos de idade. Desde os quatro, vende bala no sinal. O pai era bandido, morreu cedo, vítima de tiro. No ínicio da vida, também vendia balas em um sinal. Teve vida curta, morreu aos 30 anos. Se o destino não inferir na vida do menino, quem sabe a sorte o trate melhor. Eu vi e ninguém me contou. Brasileirinho, pequeno ou moço, morre torto.

Por
Sandra Régia Alves

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